toró de parpite











{02/10/2008}   o gosto do cheiro

Hoje de manhã eu fui comprar chicletes.

Não se compra chicletes, de manhã. Compra-se junto com cigarro antes de sair, à noite, para descansar do gosto da cerveja com cigarro.

Mas hoje, deu vontade. Entrei num buteco copo-sujasso, perto do escritório, que deve ser do velhiho que atende lá desde que passavam por alí tropeiros rumo à Br-040, e perguntei:

Eu: é quanto o Trident, moço?

Ele: Um real e vinte. Qual sabor?

Eu: verde.

Dinheiro prá lá, Trident prá cá, e eu saí pensando: sabor verde?

OK, ‘sabor verde’, ‘Bom Ar sabor lembranças da infância’, são coisas que fazem parte do meu mundo paralelo, imaginário, infantil, onde é permitido  atribuir aos seres qualidades diversas daquelas que lhes são gramaticalmente cabíveis. Aprendi com a Emília – do sítio. 

Mas me dei conta, e, na verdade, SÓ me dei conta, de que o velhinho nem mudou a cara, depois que fui embora.

Ele nem se espantou, nem riu, nem me olhou com cara de compaixão, ou de ‘percebi, mas não vou me dar ao trabalho’ .

E daí que no segundo seguinte, I realized*: ‘Bem vinda, Ana Luiza, ao mundo que TEM chicletes sabor verde prá vender.’ E, se isso não é contemporaneidade, eu não sei o que é. 

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